Faculdade de Formação de Professores – UERJ
Orientadora: Prof. Doutora Maria Tereza Goudard Tavares

O Ciclo dos Rebeldes

A presente dissertação, fruto de um percurso investigativo de longa duração acerca da Cultura do Hip Hop e principalmente do Rap no Estado do Rio de Janeiro, objetivou de forma mais ampla desvelar e revelar as inúmeras contradições que atravessam o campo cultural deste gênero musical, buscando compreendê-lo em seus atravessamentos políticos, econômicos e culturais, sobretudo no que tange à mercantilização da cultura do ponto de vista da economia política do capitalismo contemporâneo. Do ponto de vista de sua fundamentação teórico-metodológica, a dissertação dialoga com o campo dos estudos marxistas, principalmente com a questão da crítica na perspectiva do método de análise dos fenômenos sociais, da totalidade e das contradições presentes no fenômeno estudado, a cultura do HIP HOP e do Rap. Para fins de apresentação, investigamos a sua história recente, o seu crescimento e a sua legitimação na esfera cultural como parte do consumo da juventude, e a sua crescente mercantilização e transformação de sua potência artística de música e cultura de protesto e de rebeldia em produto para o mercado de consumo através de um estilo apaziguador e homogeneizador dos conflitos inerentes à luta de classe presente na sociedade contemporânea. Do ponto de vista metodológico, as entrevistas feitas procuram dar a fundamentação aos objetivos propostos, ao percurso investigativo e leitura de fundamentação, bem como situar os/as leitores/as das mudanças ocorridas na cena do rap contemporâneo, sobretudo, na passagem do Rap de protesto e do papel do MC de caráter artesanal à genealogia da profissionalização do MC, já presente e adaptado à indústria cultural e mercantilização da rap como produto a ser consumido em todas as esferas da juventude contemporânea. A autonomização do rap como um dos elementos do Hip Hop de uma forma geral é um dos resultados da mercantilização da cultura, gerando o afastamento entre os elementos esvaziou-se também a cultura dos seus próprios fundamentos políticos e ideológicos adaptando-se às múltiplas esferas do consumo.

Palavras-chave: Rap, mercantilização, Rio de Janeiro

Dissertação defendida em 26 de julho de 2017.

Dedico este trabalho aos companheiros do rap que desejam revolucionar a sociedade.

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