Araguaia, Presente! evoca o processo histórico que culminou na Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1975, e sobretudo os debates em torno da autocrítica interna ao Partido Comunista do Brasil no que tange à derrota para as forças opressoras do Estado e seu projeto alicerçado nos interesses do grande Capital internacional e local. Trata-se de um filme híbrido cuja narrativa entrelaça documentário e ficção.

A partir de depoimentos de ex-guerrilheiros e militantes políticos, o filme busca resgatar o processo histórico político dos anos 60 que culminou em nosso país no golpe civil militar (março/abril de 1964). A ditadura dos generais, por meio do terror político e cultural, aprofundou a condição de economia dependente e periférica como estratégia de acumulação de capital para transferência de lucros ao exterior, assim como a subserviência completa aos desígnios do imperialismo estadunidense, recolocando o Brasil à condição de país semi-colonial no sistema das relações internacionais. Buscamos ao desenvolver esta tese, apresentar as razões que levaram os militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) a organizar seu plano de libertação nacional com vista ao advento do socialismo em nosso país. Neste sentido, procuramos esmiuçar o que foi a Guerrilha do Araguaia, na que se deu o maior deslocamento de tropas militares em terras nacionais. Todo modo, a Guerrilha que se deu entre abril de 72 ao princípio de 1975 foi silenciada pelas autoridades militares durante mais de duas décadas, sendo que até o presente o alto comando militar não divulgou o seu arquivo secreto acerca da Guerrilha do Araguaia. Daí, a importância do resgate de nosso passado histórico recente desde as vozes daqueles que foram silenciados, ex-guerrilheiros e familiares. Abordamos ainda a fundamental autocrítica interna ao PCdoB, seus avanços e limites, a partir da reatualização daquele que ficou conhecido como O Massacre da Lapa, em dezembro de 1976, quando parte do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil que se reunia no bairro da Lapa paulista afim de aprofundar os debates sobre a experiência no Araguaia fora metralhado por forças militares e da segurança pública, fato este ocorrido em meio ao chamado processo de abertura lenta, gradativa e segura da gestão Geisel.